- Conflito armado ocorrido no início do século XX, no território europeu. Envolveu grande parte dos países do mundo e marcou o início de um período de avanços tecnológicos.
- Possíveis causas para o conflito - disputas de mercados internacionais; atrito entre as grandes potências por causa de questões coloniais; a França queria revanche contra a Alemanha por ter perdido o território da Alsácia-Lorena.
- A Inglaterra, naquela época, dominava o mercado mundial. Os ingleses eram os maiores fornecedores de produtos maquinofaturados do mundo e fariam tudo ao seu alcance para evitar que essa hegemonia fosse ameaçada.
- A Alemanha estava entre as nações que mais lhe incomodavam, pois, em menos de três décadas após sua unificação, já despontava como a segunda maior indústria do mundo.
- Na França, desde sua perda da região do Alsácia-Lorena para a Alemanha gerou um sentimento revanchista. Os franceses não aceitavam a perda desse território, especialmente por ser uma região rica em alguns recursos naturais importantes para o crescimento do setor industrial.
- Outra fonte de atrito entre as potências imperiais era o interesse russo sobre os Bálcãs. Visando a obter mais influencia sobre a região balcânica, os russos passarem a incentivar e apoiar os movimentos de resistências balcânicos.
- Nesse contexto,ocorreu o episódio que foi considerado o estopim da Primeira Guerra Mundial, o assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro,Francisco Ferdinando.
- ESTOPIM - Assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia, no dia 28 de Junho de 1914. O autor do crime foi Gavrilo Princip, participante do grupo nacionalista Mão Negra. Esse fato foi, apenas, a “gota d’água”para o início do conflito.
- Os países estavam armados e preparados para guerrear. As potências reuniram-se em blocos. Era a preparação para um grande conflito. O mundo esperava uma guerra rápida, mas esta durou 4 anos e arruinou a Europa.
- Tríplice Entente: Império Britânico, França, Império Russo (até 1917) e Estados Unidos (a partir de 1917).
- Potências Centrais (Tríplice Aliança): Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano.
- A Primeira Guerra Mundial - Ocorreu de 28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918.
- Desenvolvimento do conflito - As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e a doença também eram inimigas desses guerreiros.
- Nos combates, também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam na indústria bélica, como empregadas.
- As trincheiras - Nas trincheiras, os soldados conviviam com ratos, parasitas, lama ou pó, frio ou calor, conforme a estação do ano. Eram protegidas por grandes redes de arame farpado e por muitos homens armados com metralhadoras.
- O avanço dos inimigos era retardado pelo uso do arame farpado. As infantarias eram armadas com muitas metralhadoras. A partir de 1915, os alemães começaram a usar gás tóxico. A alimentação era feita à base de carne, vegetais enlatados e biscoitos.
- Os E.U.A vendiam alimentos, combustível, produtos industriais e máquinas para França e Inglaterra, tudo pelo sistema de crediário (“compre agora e pague depois da guerra”).
- Com o passar do tempo, a situação ficava pior (destruição, fome, miséria e matança) e os E.U.A começaram a temer que França e Inglaterra não pagassem as mercadorias compradas (os dois países deviam, aproximadamente, 2 bilhões de dólares aos americanos).
- Preocupados com um possível não pagamento da dívida, a população americana incentivava a entrada do país na guerra. Em março de 1917, os alemães afundaram alguns navios americanos que iam comercializar com a Inglaterra. Esse fato levou o Congresso americano, no dia 6 de abril, a declarar guerra à Alemanha. A entrada dos Estados Unidos na guerra foi decisiva para a vitória da Entente.
- O ano de 1917 é essencial para o fim do conflito, pois a Rússia abandonou a guerra em razão do início de sua Revolução e os E.U.A, que, até então, só participavam da guerra como fornecedor, vendo seus investimentos em perigo, entram, militarmente, no conflito, mudando totalmente o destino da guerra e garantindo a vitória da Tríplice Entente.
- O presidente dos E.U.A (Woodrow Wilson), em 1918, levou suas ideias ao Congresso no chamado “Programa dos 14 Pontos”. A proposta previa o fim do conflito sem que se atribuísse o peso da culpa e da responsabilidade da guerra a nenhuma nação específica. Seria uma “ paz sem vencedores”, ou, “ paz sem perdedores”. Dessa forma nenhuma nação derrotada teria que arcar com os custos de reconstrução do mundo pós-guerra. Os principais líderes aliados não aceitaram essa proposta de paz estadunidense. A eles interessava um culpado, pois então haveria um ou mais responsáveis e sobre estes recairiam os custos do conflito. A rejeição, especialmente da França e da Inglaterra, fez com que vários outros tratados fossem elaborados.
- Resultado da I Guerra - Os perdedores tiveram que assinar o Tratado de Versalhes. A Alemanha teve seu exército reduzido e sua indústria bélica controlada. Teve que devolver à França a região da Alsácia-Lorena. Teve que pagar o prejuízo da guerra aos países vencedores.
- O Tratado de Versalhes repercutiu na Alemanha, sendo o principal fator do sentimento de revanche que ocasionou a II guerra. O resultado foi, aproximadamente, 10 milhões de mortos e milhões de feridos. Destruição da produção agrícola, industrial e muito prejuízo econômico.
- Assinatura do Tratado de Versalhes - Este fato impunha fortes restrições e punições aos vencidos.
- Tratado de Saint Germaim: Imposto ao Império Austro-Húngaro, determinava a independência de várias regiões até então submetidas ao poder austríaco.
- Tratado de Sèvres: Imposto ao Império Turco-Otomano. Várias regiões foram entregues a outras nações, grandes extensões territoriais se tornaram protetoras britânicos ou franceses. Aos turcos foi deixada apenas a Turquia, aproximadamente 1/7 da área do antigo Império Turco-Otomano.
- Tratado de Trianon: À Hungria, separada da Austrália, foi imposto o tratado que determinava que a cessão de vários territórios às nações vizinhas, diminuindo consideravelmente sua área territorial.
- Tratado de Neuilly: Imposto a Bulgária, responsável pela diminuição de grande parte do seu território e pela restrição de suas forças militares.
- Após o conflito - Famílias destruídas e crianças órfãs. E.U.A tornou-se o país mais rico do mundo.
- Império Austro-Húngaro fragmentou-se. Surgimento de alguns países (Iugoslávia) e desaparecimento de outros.
- O império turco, após 200 anos de decadência, dividiu-se. Em 1919, foi criada a Liga das Nações (sediada na Suíça). Porém, pouco tempo depois, ela fracassou. O desemprego aumentou na Europa. Quatro anos após a I Guerra, a Europa já não era mais a mesma: os presidentes substituíram os príncipes; automóveis, submarinos e aviões eram uma realidade; o cinema e o rádio expandiram-se pelo mundo; as mulheres lutam pelos seus direitos.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Primeira Guerra Mundial
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
COMEÇAMOS A SAIR DA INDIGÊNCIA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR
Filósofo e educador se diz otimista com o futuro, mas avisa: não basta maior acesso ao ensino, é preciso que os alunos permaneçam e isso 'seja relevante para a vida coletiva'
Mario Sergio Cortella escreve livros, faz comentários em rádio e TV e dá pelo menos 60 palestras por mês. Mas garante: sua vida "não é corrida, é organizada". Antigamente, compara, dava aula de manhã, à tarde e à noite. Filósofo, educador e escritor, ele tem uma bagagem que vai além da sala de aula: foi também secretário municipal da Educação da gestão da Luiza Erundina. Nesta entrevista a Marina Gama Cubas, ele volta o olhar para os últimos 30 anos - um período em que o Brasil "começou a sair da indigência na área da educação escolar" e constata "uma ruptura para melhor". Mede a temperatura da geração que foi às ruas reivindicar seus sonhos, conclui que há muito o que fazer, mas sua mensagem é a de um otimista, inclusive quando o assunto é ética: "Somos um País na adolescência, caminhando para a maturidade". A seguir, os principais trechos da entrevista.
O Brasil tem conseguido avançar na direção de ser a pátria educadora?
Bastante. O lema adotado veio num momento perturbado, de restrições orçamentárias, mas deveria ser colocado como um projeto de nação. O Brasil, nos últimos 30 anos, começou a sair da indigência na área da educação escolar. Seja nos governos de FHC, de Lula, no primeiro mandato da Dilma ou agora. Evidentemente isso não nos acalma. Apenas traz a certeza de que é possível fazê-lo.
O que chama de indigência na educação?
Durante séculos tivemos um nível de exclusão na educação básica muito forte, além de um nível de analfabetismo adulto que ainda é vergonhoso, mas que saiu dos patamares de tempos anteriores. Havia ainda um ensino superior restrito a uma camada menor da população sob o argumento de que isso resultaria em maior qualidade - o que, numa democracia, é um argumento inaceitável. Se você não tem quantidade total, não tem qualidade, tem privilégio. Nesse sentido, há uma ruptura nos últimos 30 anos, para melhor. Além disso, o Brasil não tinha quase instrumentos de avaliação das suas estruturas educacionais. As ferramentas de hoje permitem uma visão mais nítida do que estamos fazendo. E também, claro, a Constituição de 1988 alterou a distribuição de recursos e aumentou a possibilidade de sustentação da educação municipal. Mas, repetindo Churchill, estamos no fim do começo. Não no começo do fim.
Qual o grande problema da educação brasileira hoje?
Temos três grandes problemas. Um deles é a democratização não só do acesso, mas também da permanência. Não basta colocar crianças na escola em larga escala, é preciso que elas permaneçam e tenham uma educação que seja relevante para a vida coletiva. Não só com capacitação técnica, mas com base de cidadania. Em segundo lugar, precisamos de uma nova qualidade de ensino, com uma estrutura mais voltada para o século 21. Costumo brincar que temos um choque intersecular na estrutura educacional. Os alunos são do século 21. Nós, professores, somos do século 20. E as metodologias e a organização são do século 19. E essa necessidade de atualização exige uma formação mais continuada da parte docente. O que significa, também, ter maiores recursos.
Como viu a ocupação de escolas por estudantes no final do ano passado?
Um movimento belíssimo no sentido pedagógico, porque acabou fazendo com que se desse uma atenção maior para a questão que era decisiva na vida das famílias e das comunidades: a da reestruturação escolar. Ela mostrou do que um grupo de jovens, que não teve como referência de ação política uma estrutura ditatorial, é capaz quando pode atuar em um contexto democrático e para aquilo que considera correto. Houve um equívoco, no primeiro momento, de chamar a atitude dos estudantes de invasão. Quando o espaço é público, se tem uma ocupação. E essa ocupação se dá em nome das ideias defendidas. Essa ação pode se transformar em um esforço coletivo para que tanto a autoridade docente como os estudantes surfem em outras ondas - as necessárias para que a educação não seja menos relevante do que deve ser.
Pesquisa do Data Popular mostra que apenas 3% dos brasileiros afirmam ser corruptos, mas que 70% admitem ter tomado pelo menos uma vez na vida uma atitude corrupta. Uma ação torna alguém corrupto?
Nenhum e nenhuma de nós é imune à degradação ética. Nenhum e nenhuma de nós é invulnerável. Por exemplo, se eu considerar um ato corrupto eu ter colado na prova, ou ter tentado passar à frente de alguém na fila. Esses atos do cotidiano, se reiterados, caminharão em direção a uma corrupção mais extensa. Esses delitos nossos, que individualmente ou isoladamente têm uma ressonância menor, se tornados hábitos agregam uma negatividade. O fato de se poder dizer que nenhum de nós é imune, no entanto, não significa que isso seja obrigatório. Como costumo dizer sempre, a corrupção é uma possibilidade, não é uma obrigatoriedade. Apenas 3% admitirem isso é um índice que eu olharia como reduzido se imaginarmos o quanto somos, de fato, capazes de qualificar a corrupção de vários modos.
As pessoas não conseguem ver a corrupção nos próprios atos?
Não conseguimos. Temos uma coisa chamada consciência que trabalha muito fortemente o que chamamos de "ética da conveniência". Ela ocorre em vários casos. Por exemplo, quando a pessoa diz "eu faço, mas todo mundo faz". Ou: "se não for assim, eu não vou conseguir". A ética da conveniência é malévola porque degrada a nossa condição, mas não é privativa da brasilidade. Precisamos ter cautela ao falar em ética para não esquecer que ética não é cosmética, uma coisa de fachada. Vamos a um exemplo. No parâmetro em relação à corrupção do mundo, que saiu há algumas semanas, um dos países menos corruptos, em nível de governo, é a Suíça. Mas é um dos países que mais acolhem dinheiro corrupto do mundo. É necessário ter cautela com essa hipocrisia. Ao mesmo tempo, temos um aprendizado de conduta em relação ao nosso modo de vida privado e público. Isso significa que há uma construção histórica em relação aos nossos direitos e deveres. Por que somos hoje mais propensos a desejar a honestidade? Porque temos uma imprensa livre que pode tornar público aquilo que é necessário. Também porque temos tecnologia digital que nos coloca em estado de vigilância mais contínua. E porque uma parte de nós já entendeu que a fratura ética leva à derrota coletiva.
Acha que o Brasil vai sair melhor da Lava Jato?
Cada vez mais. Há todo um ambiente, hoje, que é mais favorável a que a gente fique mais atento em relação às condutas privada e pública. Se nós formos os mesmos daqui a 10 anos, isso será um sinal de que a nossa canalhice é superior à nossa decência, e não acredito que assim seja.
Você diz que a democracia é aceitação coletiva das regras. A coletividade, então, pode quebrar essas regras?
Nas democracias há o direito de insubordinação civil, que é a recusa da população ou de parte dela a algo que considere inadequado, injusto ou violento. O filósofo John Locke, no Tratado sobre o Governo Civil, fala do equilíbrio entre os poderes, e esse elemento é um dos que influenciaram a independência dos Estados Unidos e a Constituição brasileira de 1988. A Constituição não está além da própria vida em comunidade.
Os atos nas ruas mostraram também manifestações de intolerância. Como vê isso?
Há aí algo que Vladimir Lênin chamava de teoria da curvatura da vara. É uma ideia fácil de entender: após você pegar uma vareta que está fincada no chão e envergá-la fortemente numa direção, ao soltá-la ela vai fortemente na direção oposta. As manifestações dos últimos tempos permitiram que viessem à tona não só pensamentos contrários e divergentes, mas também as doenças. Isto é, as doenças mentais, principalmente a da intolerância, que é sinônimo de covardia e de incapacidade de ouvir aquilo que não pensa.
Estamos mais intolerantes?
É maior, hoje, a possibilidade de aclarar a intolerância. As pessoas têm muito maior condição de ser intolerantes e repartir esse comportamento. Não tínhamos, até algum tempo, qualquer plataforma em que eu pudesse manifestar isso, exceto individualmente. Em segundo lugar, eu nem poderia fazê-lo porque seria imediatamente submetido à pressão de alguém mais poderoso. Em terceiro, a violência no mundo é muito mais reduzida, comparada ao que já foi. Nós temos hoje capacidade maior de produzir violência, mas a rejeição a ela é maior.
Você se considera um realista ou um otimista?
Eu acho que todo o otimista é um realista compromissado. O pessimista é acima de tudo um desistente, que se senta e espera dar errado. O otimista tem muito mais trabalho porque precisa ir atrás. Prefiro ser otimista.
terça-feira, 29 de maio de 2012
5 de maio de 1928: A inauguração da estrada Rio-São Paulo
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Jovens mobilizam-se contra Lei da Anistia
Em frente à empresa de segurança privada Dacala, na zona sul da capital paulista, dezenas de militantes do Levante Popular da Juventude protestam contra o proprietário, David dos Santos Araújo, ex-agente de repressão do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi). Com o microfone em mãos, a estudante Lira Alli ataca Araújo, o capitão Lisboa. "O dono desta empresa é um torturador. É importante que todas as pessoas que moram aqui perto saibam. Ele assassinou, estuprou, prendeu e torturou pessoas que lutavam contra a ditadura". O protesto, realizado em 26 de março, destinou-se a marcar os 48 anos do golpe militar.
A reportagem é de Cristiane Agostine e publicada pelo jornal Valor, 17-05-2012.
Quase dois meses depois, às vésperas da instalação da Comissão da Verdade, em Brasília, o jovem Edison Rocha Junior é um dos que protestam no Guarujá (SP) em frente ao prédio onde mora o tenente coronel reformado Maurício Lopes Lima, apontado como torturador na Operação Bandeirante da presidente Dilma Rousseff e de Frei Tito. "Estamos aqui para denunciar à vizinhança e à sociedade que neste endereço, no apartamento 23, mora um torturador", diz Junior. As palavras foram repetidas por dezenas de manifestantes. No protesto, na segunda-feira, jovens pixaram "Aqui mora um torturador no apartamento 23 A" e colocaram faixa no edifício com a mesma inscrição.
Lira Alli, de 23 anos, e Edison Rocha Junior, de 26 anos, são dois dos articuladores do Levante Popular da Juventude, que promove atos conhecidos como "esculachos" contra torturadores e agentes de repressão da ditadura. O grupo realizou dois grandes protestos nacionais. No primeiro, em março, fizeram ações em dez Estados. No segundo, nesta semana, em onze Estados. Em ambos, reuniram centenas de jovens. Em março, participaram também de protesto organizado pelo cineasta Silvio Tendler no Clube Militar, no Rio de Janeiro.
O movimento divulga na internet a foto, o endereço e a acusação contra agentes da repressão militar e cobra punição. "Não queremos fazer justiça com as próprias mãos", diz Lira. "Não é uma ameaça direta aos torturadores. Mas não quero morar ao lado de um torturador, estuprador", afirma Junior.
O grupo de jovens, ligado à Via Campesina, começou a se organizar no Rio Grande do Sul em 2006 e ganhou força em 2011, com a participação de estudantes secundaristas, universitários e jovens da periferia. Muitos já participavam de outros movimentos sociais, como Junior e Lira, que se conhecem há dez anos. No início do ano, um acampamento do Levante Popular da Juventude reuniu no Rio Grande do Sul mais de 1,2 mil pessoas.
Com a instalação da Comissão da Verdade, as manifestações devem se intensificar. Para integrantes do Levante Popular da Juventude, se não houver pressão popular a comissão corre o risco de ser esvaziada. "Quando os crimes forem se revelando, vai ficar cada vez mais clara a necessidade de Justiça. A verdade pede a justiça. A Comissão da Verdade foi criada só para esclarecer o que aconteceu. Por isso é preciso pressão popular para cobrar a punição", analisa Junior.
Os protestos são organizados na surdina, para que militares, os "alvos" dos jovens, não desarticulem as manifestações. "Garantir o sigilo é fundamental. Se as informações vazarem, isso pode nos prejudicar", explicaJunior. "Protestamos contra militares aposentados, figuras perigosas", afirma. Um grupo pequeno, de três a sete pessoas, fica responsável por descobrir o endereço dos agentes que atuaram na repressão na ditadura e por mobilizar os jovens em todo o país. Um dia antes - ou mesmo horas antes- do protesto, esse grupo se reúne com os manifestantes, diz quem será o alvo da vez e dá instruções. As redes sociais são usadas com moderação. "As conversas têm de ser olho no olho, à moda antiga", diz Junior. Os gastos com os protestos são poucos, com a compra de tinta para as pixações e faixas. Os recursos são arrecadados com a venda de camisetas e uma "vaquinha" entre os participantes.
Diferente de outros movimentos que lutam pela punição dos torturadores, formado por familiares de ativistas mortos pelo regime militar e desaparecidos políticos, grande parte dos integrantes do Levante Popular da Juventude não teve parentes mortos ou torturados. A maioria também não é vinculada a partido. "Temos outras bandeiras de mobilização. Nossa pauta é a memória e a justiça, mas foi a defesa da punição dos torturadores que nos tornou mais conhecidos", explica Junior. "Acho que esse protesto [de expor os agentes da repressão] é algo novo". Analista de suporte de informática, o jovem afirma ter participado de protestos contra o genocídio da juventude negra, luta por cotas nas universidades e por melhores condições de vida na zona leste de São Paulo, onde vive, entre outros.
Junior, no entanto, lembra que seu pai, morto em 2002, foi preso pelo regime militar quando trabalhava como metalúrgico no ABC paulista. "Ele era da comissão de fábrica da Ford e foi preso sob acusação de dano ao patrimônio. Os operários sofriam uma repressão diferente. Eram acusados de crimes comuns, não de subversão. Não eram considerados presos políticos". Lira diz ter convivido com amigos de seu pai, militante do movimento estudantil, que foram perseguidos e torturados.
"Mas a nossa luta não é por um sentimento pessoal. É uma questão política", diz Junior. Os dois jovens, tidos como os porta-vozes do movimento, veem reflexos na sociedade da falta de punição aos torturadores. "A polícia continua a militar. Essa é uma das principais causas da violência contra a juventude pobre e negra da periferia", analisa Lira.Junior reforça: " Isso abre espaço para que a Polícia Militar, para que e grupos especiais da PM se tornem máquinas de matar. A não investigação de grupos de extermínio da polícia é fruto da ditadura. Ninguém faz nada contra quem tortura e mata".
Na luta pela punição dos torturadores, Lira diz que a pergunta mais frequente que ouve é: "Por que você não vai combater a corrupção?". "Digo para essas pessoas que se organizem e lutem contra a corrupção se é isso que lhes importa. Cada um elege sua prioridade. Para nós agora é o momento oportuno para se reescrever a história do Brasil".
