O pai da teologia da libertação do Peru fala do Pe. Sandro Dordi e dos dois franciscanos poloneses que serão proclamados bem-aventurados no próximo sábado em Chimbote: "Mortos peloSendero Luminoso porque constituíam uma alternativa não violenta ao plano revolucionário. A denúncia da pobreza por amor 'complica' sempre a vida".sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Os mártires de Chimbote e o escândalo dos pobres. Entrevista com Gustavo Gutiérrez
O pai da teologia da libertação do Peru fala do Pe. Sandro Dordi e dos dois franciscanos poloneses que serão proclamados bem-aventurados no próximo sábado em Chimbote: "Mortos peloSendero Luminoso porque constituíam uma alternativa não violenta ao plano revolucionário. A denúncia da pobreza por amor 'complica' sempre a vida".terça-feira, 29 de maio de 2012
2 de maio de 1989: Bomba explode Memorial e reabre feridas da CSN
terça-feira, 22 de maio de 2012
Regime militar volta ao debate público
Os casos do coronel Ustra e do Cabo Anselmo serão julgados apenas seis dias após a presidente Dilma Rousseffter instalado oficialmente a Comissão da Verdade, destinada ao esclarecimento de casos de violação de direitos humanos ocorridos no regime militar. Eles também vêm à tona no mesmo momento em que são levadas a cabo, em diferentes partes do País, ações destinadas a expor publicamente agentes de Estado acusados de terem participado de torturas, sequestros e desaparecimentos forçados.
O comentário é de Roldão Arruda, jornalista, e publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 22-05-2012.
Pode ser somada a isso a grande disposição de militares da reserva, descontentes com a comissão, de divulgarem declarações de protesto contra a comissão, o que chamam de revanchismo, e críticas à presidente. Paralelamente, debate-se, em termos políticos e jurídicos, qual deve ser o alcance de comissão: julgar apenas as vítimas de crimes cometidos por agentes de Estado? Ou tratar também de violências que teriam sido cometidas por grupos de esquerda que recorreram às armas na tentativa de derrubar o regime?
Acima desse debate paira ainda a questão das leis internacionais, aceitas pelo Brasil, segundo as quais os chamados crimes de lesa-humanidade, entre eles o desaparecimento forçado, são imprescritíveis e não alcançáveis por leis de anistia como a que foi promulgada no Brasil em 1979 e referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2010.
Poucas vezes na história recente se viu um período de debate sobre o regime militar tão intenso e marcado por tensões.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
EUA pode ajudar Brasil a abrir 'caixa de Pandora' do regime militar, diz especialista
"Uma vez que a caixa de Pandora do passado for aberta, será muito difícil fechar a tampa novamente", diz, referindo-se aos segredos que podem ser revelados pela primeira vez, e que dariam início a um segundo debate no país, desta vez sobre justiça.
Kornbluh, um especialista em "abrir caixas de Pandora" usando a lei de acesso à informação americana, crê que as informações guardadas nos EUA podem ser valiosas principalmente diante da relutância das Forças Armadas brasileiras em abrir seus arquivos.
Sob pressão para ajudar no trabalho de comissões da verdade na região, ele diz, o governo americano tem liberado evidências ainda que atestem suas "políticas externas desabonadoras, reprováveis e imorais do passado", afirmaKornbluh.
O que o sr. acha da criação de uma Comissão da Verdade no Brasil?
O que, na sua opinião, pode potencialmente ser revelado pela primeira vez a partir dos trabalhos da Comissão?
O sr. mencionou a concessão feita de saída pela Comissão da Verdade no Brasil no sentido de não processar ninguém. Mas a comissão do Chile também começou com várias concessões e , mais tarde, houve condenações de militares no país.
A Comissão da Verdade também teve as mesmas restrições, vamos chamar assim, da brasileira. Estava significativamente restrita pela sombra da ditadura de Pinochet e pela ameaça de uma violência renovada por parte dos militares. Só foi estabelecida após Pinochet deixar claro que ela não poderia identificar perpetradores de crimes contra os direitos humanos. Mas o relatório extraordinário de dois volumes da Comissão se tornou base para uma discussão nova no Chile, sobre a busca pela verdade. E no fim, como todos sabem, o próprio Pinochet foi indiciado por crimes contra os direitos humanos. Levou anos, foi preciso muita paciência, mas como uma sociedade civilizada, o Chile caminhou da verdade para a Justiça. Os brasileiros também têm sido pacientes. O poder da informação que a Comissão brasileira gerar pode levar a um novo movimento por reconhecimento, prestação de contas e justiça.
Um dos resultados mais claros do envolvimento americano em países latino-americanos na época é que os EUA tinham muitos conselheiros de contrainsurgência na região. As autoridades americanas documentaram o papel do Brasil contra a esquerda - não apenas brasileira, mas argentina, uruguaia , chilena - e o papel do Brasil na Operação Condor, uma colaboração liderada pelo regime de Augusto Pinochet no Chile com todos os regimes do Cone Sul. Entre os documentos de rotina do Departamento de Defesa, deve haver relatórios sobre a infraestrutura e as unidades das forças de segurança brasileira que podem ajudar a relacionar quem eram os responsáveis por determinadas regiões onde ocorreram abusos de direitos humanos. Além disso, pode haver relatórios operacionais detalhados e específicos sobre operações de contrainsurgência, operações como a do Araguaia, que reportem a repressão que ocorreu.
Há disposição dos EUA para abrir esses arquivos?
Os documentos da natureza que estamos falando não são abertos rotineiramente. Os que são considerados altamente confidenciais - que são baseados em fontes dentro do regime militar brasileiro, ou os relatórios de inteligência preparados pela CIA - não são liberados rotineiramente e é preciso uma petição baseada na lei de acesso à informação. Mas hoje, apesar de todo o apoio dos EUA aos regimes autoritários da América Latina na época, a política americana para a região é de fortalecimento de instituições de direitos humanos e da democracia. Os EUA já ajudaram outros países - Guatemala, Peru, Equador - que tiveram comissões da verdade, praticando aquilo que eu chamo de "diplomacia dos documentos", revendo e liberando rapidamente os arquivos em seu poder para uso dessas comissões.
O sr. acredita que o mesmo ocorreria no caso brasileiro?
Nossa organização espera trabalhar com a Comissão da Verdade brasileira para formular requerimentos detalhados junto ao governo americano de documentos cruciais, da mesma forma que assistimos comissões no Peru, Equador, Guatemala, El Salvador, etc.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
“Sobrevivi para ouvir gente como Guerra”, diz mulher de morto na ditadura
Suzana Lisboa, da Comissão de Familiares, Mortos e Desaparecidos, defende que ele seja convocado a falar naComissão da Verdade.
A ativista Suzana Lisboa, integrante da Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, afirmou ao iG, 03-05-2012, que as revelações do ex-delegado da Polícia Civil do Espirito Santo Cláudio Guerra são “muito impactantes” e que “seria uma grande vitória” ele ser ouvido pela Comissão da Verdade do governo federal, ainda em formação.
As afirmações de Guerra estão em depoimento para o livro Memórias de uma guerra suja, dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.
“Sobrevivi para ouvir gente como Guerra”, disse Suzana, que participou por dez anos da Comissao de Mortos e Desaparecidos Políticos e a deixou em 2005, acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de esvaziar o grupo e não cumprir a promessa de abrir os arquivos do período da ditadura militar. O marido de Suzana, Luiz Eurico Tejera Lisboa, foi morto sob tortura em 1972 e enterrado como indigente. Seus restos mortais foram os primeiros de vítimas da ditadura a serem localizados e identificados, em 1979, no cemitério de Perus, em São Paulo.
Suzana reconhece que as afirmações do ex-policial precisam ser verificadas para checar sua veracidade, mas afirma que gostaria que Guerra a recebesse para conversar sobre casos específicos de mortos e desaparecidos.“Se ele quiser me receber, gostaria muito de encontrá-lo”, disse.
Cláudio Guerra afirmou ter participado ainda de reunião que decidiu a morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury, de São Paulo, do atentado do Riocentro, em 1981, e ter sido designado para matar o jornalista Alexandre Baumgartem, em 82, e Leonel Brizola (governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul).
'Espectro' dos militares atemoriza possíveis delatores, diz Suzana
Suzana contou que, ao ver as matérias do iG, passou uma série de “torpedos” para amigos e conhecidos, a fim de encontrar e encomendar um exemplar do livro. Suzana admitiu que, em todos os anos de militância nessa área, nunca ouviu falar em Guerra. “Eu nunca ouvi falar nele, mas nós podemos dizer que nunca ouvimos falar nele, esses coronéis (Ustra e Juarez) não podem”, disse.
Ela ressaltou que as pessoas que vêm a público falar sobre os crimes do período correm riscos.
“O Brasil está tão atrasado, e a impunidade é tão corriqueira que é preciso se proteger. Se essas pessoas estivessem presas, mais gente falaria. O espectro dessas pessoas ronda todos. Ora, se foram capazes de cometer tantas atrocidades, poderiam fazer novamente. Lembro de, em viagens ao Araguaia, pessoas me dizerem : ‘Eu falaria, mas o Curió (Sebastião Rodrigues de Moura, o então “major Curió”, um dos principais comandantes de campo do Exército na Guerrilha do Araguaia, em 1974) está vivo ainda. Só falo depois que ele estiver morto ou preso’”, disse.