sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O dia em que cem policiais sitiaram uma escola ocupada em São Paulo


“Está tendo assalto a banco, é?”, indagou um homem que aguardava na calçada para atravessar a rua na esquina da rua Teodoro Sampaio com a Pedroso de Moraes, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A pergunta não era descabida: nesta quarta-feira, o quarteirão da escola estadual Fernão Dias estava completamente cercado por mais de 100 policiais militares – e dezenas de viaturas, segundo dados da corporação. Uma das pistas da Pedroso, bem como as duas vias laterais da escola foram totalmente isoladas para o tráfego de veículos e pedestres.

Mas não se tratava de uma ação do crime organizado: desde terça-feira um grupo de alunos da Fernão Dias decidiu ocupar a escola para protestar contra a reforma educacional, que prevê o fechamento de 94 escolas além de remanejamento de milhares de alunos das unidades públicas, e está sendo implementada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Uma outra escola em Diadema também foi ocupada na terça. Os estudantes se recusaram a dizer o número de pessoas que participam da ação.

A reportagem é de Gil Alessi, publicada por El País, 11-11-2015.

Desde outubro, milhares de estudantes têm ido às ruas protestar contra a nova política para o ensino, que o Estado chama de “redesenho” da rede estadual, que abriga 3,75 milhões de alunos. A reforma será posta em prática a partir de 2016 e, por causa dela, além do encerramento de atividades letivas em 94 escolas, outras 754 terão ciclos encerrados, quer do ensino fundamental ou médio. A Fernão, um amplo prédio em área nobre da cidade, continuará aberta, mas os alunos do ensino fundamental irão para a escola Godofredo Furtado, no mesmo bairro. E as turmas do ensino médio da Godofredo vão para a Fernão. Desde o início do protesto na tarde de ontem, alguns jovens já deixaram o prédio — parte deles a pedido dos pais —, e um pequeno grupo conseguiu entrar. Nesta quarta-feira houve confusão quando a PM usou spray de pimenta para impedir que outros alunos entrassem na escola.

“Essa política de construir mais cadeias e fechar escola prejudica principalmente os mais pobres, não querem que tenhamos estudo”, afirmou a jovem M. N, aluna do último ano do ensino médio da Fernão. Ela é uma das dezenas de estudantes que passaram a madrugada dentro do prédio, e diz que a ocupação era uma questão de tempo. “Fui a quase todos os atos contra o redesenho. Dissemos que isso iria acontecer e não fomos levados a sério, não fomos ouvidos.”

A jovem diz que as decisões na ocupação são tomadas em assembleia, e que uma vaquinha entre os alunos foi feita para comprar comida e itens de higiene pessoal. Para dormir os estudantes se revezam em 15 colchonetes doados pelo secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Suplicy, que esteve no local na noite de terça-feira. M diz contar com o apoio da mãe, que visitou a ocupação ontem. “Não estamos quebrando nada aqui dentro, as salas dos professores e da diretoria estão trancadas”, afirma. Apesar do cansaço de uma noite mal dormida e sob sítio da polícia, a estudante tinha um sorriso no rosto. “Todo mundo que está aqui dentro está feliz. Nossa luta é justa, nossa luta é bonita.”

Essa política de construir mais cadeias e fechar escola prejudica principalmente os mais pobres, não querem que tenhamos estudo”

Do lado de fora, sob o olhar atento de uma centena de PMs, um grupo de alunos gritava slogans contra o fechamento de escolas e em apoio à ocupação: “Pode chover, pode nevar, a minha escola não vai fechar!” Uma delegação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto também esteve presente para apoiar o ato, bem como integrantes do Movimento Passe Livre.

Para a capitã Cibele, da assessoria de imprensa da PM, o contingente mobilizado é adequado para “garantir a integridade física dos alunos que estão lá dentro”. De acordo com ela, a orientação do contingente é impedir que outras pessoas entrem no prédio, e registrar o nome de quem sai para o caso de ter havido algum prejuízo material à escola.

Os argumentos dos estudantes e do Governo

Ariane Mikaeli, de 16 anos, é uma das alunas do Fernão que irá migrar para o outro colégio. “A ocupação não é só pela Fernão, é contra o plano geral do Governo”, afirma a jovem, que deixou o prédio hoje pela manhã. Ela diz que a tendência é que as salas de aula fiquem lotadas. A supervisora de ensino para a região centro-oeste, Maria Cecília Mello Santo, discorda, e afirma que tanto a Fernão quanto a Godofredo tem capacidade para absorver a mudança de turmas.

“A Godofredo, principalmente, está funcionando com capacidade ociosa”, afirma. Segundo ela, será respeitado o limite de alunos por classe, que é de 35 no ensino fundamental, e 40 no médio. O argumento da gestão Alckmin é que escolas que abrigam um único ciclo, fundamental ou médio, tem melhor rendimento. "A ideia pedagógica é correta. Se você aglutinar as pessoas por ciclos, os professores não precisam se deslocar, você não tem alunos com idades muito díspares juntos. Como ideia, é procedente. Mas isso não pode ser feito apressadamente sem planejamento", ponderou, no mês passado, Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC São Paulo. A supervisora Maria Cecília Mello Santo diz que e a diretora da escola disseram ter tentado sem sucesso negociar com os estudantes. “Eles dizem que lá não tem líder, aí fica difícil conversar”

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

"Pacto das Catacumbas" revive com o Papa Francisco, 50 anos depois


O "Pacto das Catacumbas", assinado por 42 bispos (que depois se tornaram 500), pouco antes do fim do Concílio Vaticano II, vem à tona. As renúncias aos luxos e aos privilégios, e o compromisso "com uma Igreja pobre e para os pobres" é realidade com o Papa Francisco. A celebração oficial dos seus 50 anos será na Pontifícia Universidade Urbaniana, com o teólogo Jon Sobrino, que verá o papa no dia anterior.

A reportagem é de Patrizia Caiffa, publicada pela agência SIR, 05-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há 50 anos, poucos dias antes do encerramento do Concílio Vaticano II, 42 bispos conciliares (que depois se tornaram 500), incluindo o brasileiro Dom Hélder Câmara e o italiano Luigi Bettazzi, assinaram o "Pacto das Catacumbas", nas catacumbas de Santa Domitila, em Roma, como compromisso pessoal para levar uma vida de pobreza, renunciando a luxos, símbolos de poder e privilégio, e para ser "uma Igreja serva e pobre", como desejava João XXIII.

Hoje, o "Pacto", esquecido nas décadas posteriores por razões políticas, veio à tona e se tornou vida vivida com o Papa Francisco e o programa do seu pontificado: "Por uma Igreja pobre e para os pobres". Tanto que, no próximo dia 14 de novembro, a Pontifícia Universidade Urbaniana organiza um importantes seminário oficial no 50º aniversário: entre os convidados especiais, o teólogo jesuíta Jon Sobrino (duas das suas obras em 2007 foram definidas como "erradas" pela Congregação para a Doutrina da Fé), que vai se encontrar com o Papa Francisco no dia anterior, 13 de novembro, durante a missa em Santa Marta, às 7h.

Bergoglio, que na época ainda não era bispo, respirou os ecos dessa iniciativa na América Latina, onde ainda estava viva em alguns componentes da Igreja. Entre os signatários posteriores do "Pacto", de fato, estavam o arcebispo de San Salvador, Óscar Romero, assassinado pelos militares e hoje bem-aventurado por vontade do Papa Francisco, e o bispo argentino Enrique Angelelli, que morreu em um acidente suspeito em 1974, que Bergoglio conhecia quando era superior dos jesuítas.

Renúncia "à aparência e à realidade da riqueza"

No dia 16 de novembro de 1965, os 42 bispos de 15 países de diferentes continentes, incluindo muitos latino-americanos, celebraram uma eucaristia, presidida pelo bispo belga Charles-Marie Himmer, nas catacumbas de Santa Domitila, que hospeda os túmulos de 100 mil cristãos dos primeiros séculos de vida da Igreja.

A assinatura do "Pacto" se inspirou no compromisso do grupo "Igreja dos Pobres", fundado pelo padre operário Paul Gauthier e pela religiosa carmelita Marie Therèse Lescase.

No texto, redigido pelo bispo Hélder Câmara, os bispos se comprometiam a "viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue".

Uma renúncia, especificamente, "no traje (fazendas ricas, cores berrantes)", aos símbolos em ouro e prata, à propriedade "de bens imóveis, nem móveis, nem conta bancária".

Ao mesmo tempo, os bispos se recusavam a ser chamados "oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre".

Não aos privilégios e à administração direta das finanças. "No nosso comportamento – escreviam –, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (por exemplo, banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos)".

"Do mesmo modo – continuavam –, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão."
Todas as vezes que for possível, acrescentavam, "confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos".

O compromisso com os pobres no "Pacto" se fundamentava principalmente nas exigências de justiça e de caridade, trabalhando para "transformar as obras de beneficência em obras sociais". Tudo isso pedindo que os responsáveis dos governos e dos serviços públicos implementassem "as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens".

Dando-se conta da situação de pobreza extrema de dois terços da humanidade, os bispos signatários também se comprometiam a "participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres", e a pedir às organizações internacionais, "testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria".

Celebração dos 50 anos

Ao longo dos anos, o "Pacto" encontrou inúmeras oposições e foi vivido às escondidas. Mas, neste ano, por ocasião do 50º aniversário, alguns grupos (os Missionários do Verbo Divino, as Missionárias Servas do Espírito Santo, o grupo de Justiça e Paz JPIC dos religiosos e religiosas da União dos Superiores e Superioras Gerais (UISG/USG), os religiosos brasileiros em Roma, o Centro de Estudos sobre a Missão (Sedos), os pobres da Cáritas de Roma) e bispos (incluindo o cardeal Walter Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) já organizaram e presidiram celebrações especiais nas catacumbas.

O evento do dia 14 de novembro, na Aula Magna da Pontifícia Universidade Urbaniana, organizado pelo grupo JPIC da USG/UISG, pelos verbitas e pelo Sedos, sanciona a oficialidade da celebração.

O teólogo espanhol Jon Sobrino, naturalizado salvadorenho e que escapou de um atentado encomendado pelo governo em 1989, vai falar sobre o impacto do "Pacto das Catacumbas" na Igreja hoje.

Também falará o bispo emérito de Ivrea, Luigi Bettazzi, hoje com 92 anos, um dos poucos signatários ainda vivos junto com o bispo José Maria Pires, que, do Brasil, vai enviar uma mensagem de vídeo.

Sobre o congresso, Dom Bettazzi, em um editorial da revista Mosaico di Pace, espera que o papa "possa se não promovê-lo, certamente abençoá-lo".

Também confirmou presença o cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Sobrino vai se encontrar com o papa em Santa Marta no dia anterior, enquanto, no domingo, 15 de novembro, depois da participação do grupo no Ângelus em São Pedro, ele presidirá a missa nas catacumbas de Santa Domitila, geridas pelos padres verbitas.

Entre os outros palestrantes no congresso: Alberto Melloni, da Universidade de Modena e Reggio Emilia, e o cardeal Roger Etchegaray.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Professores iniciam construção de jogo sobre o Parque Indígena do Xingu e o seu entorno



Já pensou em aprender sobre preservação ambiental, geografia, história, economia e muito mais, jogando? Esse é um dos propósitos do Grupo Referência em Educação, coordenado pelo ISA e que engloba professores de escolas de cinco municípios das cabeceiras do Xingu, no Mato Grosso. Jogos educativos foi o tema do segundo encontro do grupo, nos dias 02 e 03 de outubro, que aconteceu na escola municipal Nova Era, em Canarana-MT. Participaram 36 professores de várias disciplinas.

A reportagem é de Rafael Govari, publicada por Sementes do Xingu, 14-10-2015.

O encontro contou com a participação de Nurit Bensusan, que trabalha como assessora de políticas públicas do ISA (Instituto Socioambiental) em Brasília-DF e possui uma oficina de criação de jogos com temas biológicos. Ela explica a importância dos jogos no ensino: “O jogo, principalmente para as crianças, é mais lúdico, mais interessante. É uma atividade muito bacana, para além do próprio conteúdo. A criança aprende a competir de uma forma mais razoável, ganhar sem tripudiar, perder sem se desesperar, que é um aprendizado importante para a vida. Então, o jogo junta o aprendizado do conteúdo com esse outro aprendizado, que é o da vida mesmo”, falou.

Nurit mostrou para os professores que é fácil criar jogos, com simplicidade e até na base do improviso: “Como a gente está fazendo ali, desenha com giz um tabuleiro no chão, você produz cartas, isso é bem interessante. Então, essa é a proposta, mostrar as possibilidades para essa equipe de professores”, colocou.

O Grupo Referência em Educação trabalha principalmente com temas socioambientais. A partir desse último encontro, iniciou-se a criação de um jogo que envolve informações do Parque Indígena do Xingu, com foco nos temas socioambientais, mas também englobando outros assuntos, como cultura, geografia e história dos municípios que ficam no entorno. “Usar algumas dessas dinâmicas de jogos que a gente viu aqui para ter ideias de como poderia ser um jogo… Pensamos em um tabuleiro onde os jogadores circulam pelos municípios do entorno e outra parte onde circulam pelo Parque”, falou Nurit. Em um novo encontro, provavelmente em março do ano que vem, o jogo deverá ser apresentado para o público e começará a ser utilizado nas escolas.

Conforme uma das coordenadoras do grupo, Cristina Velásquez, do ISA (Instituto Socioambiental), o trabalho nas escolas é fundamental para a missão do ISA, que na região tem como um dos focos a percepção das inter-relações que formam o território, dentre elas a percepção da água como um bem comum essencial às atividades econômicas, políticas e ambientais, que pode ser alcançado através do entendimento da sociobiodiversidade do território. “Esse grupo congrega professores que já desenvolvem iniciativas inovadoras há vários anos e tem o objetivo de se reunir e estudar temas com o objetivo de enxergar um território uno, que se compreendidos, permite ter uma forma de vida melhor”, falou.

Além do aprendizado na construção de jogos, durante o encontro foi anunciado o apoio financeiro a 14 projetos de escolas diferentes, que receberão auxílio para continuar a desenvolver inciativas que já são trabalhadas pelos professores. “É um complemento para que eles continuem tendo condições de realizar essas atividades. Nós temos projetos na área da comunicação, implantação de espaços de pesquisas fora de sala de aula como laboratórios agroflorestais, restauração de áreas degradadas…”, relatou Cristina. Em cada encontro, que é realizado em escolas diferentes, os professores aprendem sobre o projeto desenvolvido por aquela escola. O próximo encontro acontecerá no próximo dia 28 de novembro em outra escola de Canarana.

A escola Nova Era, por exemplo, desenvolve um projeto de agrofloresta. Quem comenta sobre o trabalho é a diretora Maria José dos Santos Cereta e a professora Lisonete Fernandes da Costa. A agrofloresta foi implantada em 2009 e com a criação do Grupo de Referência, um novo projeto foi criado para revitalizar o espaço. “Para ter mais utilidade para as crianças. Elas adoram brincar lá embaixo. Os professores as levam para poder trabalhar lá, que é fresquinho. Então resolvemos revitalizar, replantar, fazer emplacamento e construir uns bancos para aproveitar melhor o espaço. É o nosso pedacinho intocável”, disse. Lisonete explica como os professores trabalham com o espaço verde. “Quando você fica só em sala de aula, fica muito limitado… No Dia da Árvore o que a gente pode trabalhar como nosso cantinho verde? Por exemplo, pode fazer uma redação e porque não ir com as crianças vivenciar o momento? E ali fluem mais ideias para as crianças, fica mais real para elas desenvolverem essa atividade, além de ser mais prazeroso, com certeza”, falou a professora.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Os Bárbaros

Os Bárbaros

Os bárbaros eram povos que não possuíam a cultura Greco-romana. Esses povos migraram em direção ao Ocidente, primeiramente no século III, se estabelecendo nas fronteiras do Império Romano do Ocidente. Muitos foram utilizados como soldados do exército romano. No século V, uma nova migratória, invadiu o Ocidente. Desta vez, os povos bárbaros fugiam dos hunos. Essa invasão acarretou na queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.c.
            Dentre os povos bárbaros que penetraram no Ocidente, o mais importante foram os germanos, pois deram contribuições importantes para a formação da Europa Feudal.

Principais Grupos bárbaros:

a)Germanos: ostrogodos, visigodos, anglos-saxões, francos, lombardos, etc.
b) Eslavos: russo, poloneses, checos, croatas, ucranianos, etc.
c) Tártaro- Mongóis: hunos, turcos, etc.
Localização na Europa dos principais povos bárbaros
·  Francos : estabeleceram-se na região da atual França e fundaram o Reino Franco
·  Lombardos : invadiram a região norte da Península Itálica
·  Anglos e Saxões : penetraram e instalaram-se no território da atual Inglaterra
·  Burgúndios : estabeleceram-se na sudoeste da
França
·  Visigodos : instalaram-se na região da Gália, Itália e Península Ibérica.
·  Suevos : invadiram e habitaram a Península Ibérica
·  Vândalos : estabeleceram-se no norte da África e na Península Ibérica
·  Ostrogodos : invadiram a região da atual Itália.

Características Gerais dos Germanos:
Economia: Agrária
Política: Não conheciam a noção de Estado. Estavam organizados em tribos, e em período de guerras escolhiam um chefe militar.
O chefe militar e os seus guerreiros faziam um juramento de fidelidade, no qual os guerreiros prometiam obediência ao chefe militar.( Comitatus). Após as batalhas, as riquezas e terras dos conquistados eram divididas entre o chefe militar e os seus guerreiros. (Beneficium).
O comitatus e o beneficium, posteriormente contribuíram para a formação das relações de suserania e vassalagem, existente no feudalismo.
Religião: Os bárbaros eram politeístas, adoram os elementos da natureza. Adoravam o sol (deus feminino), e a Lua (deus masculino).
Direito: As leis não eram escritas, mas eram costumeiras, baseadas na tradição ( Direito Consuetudinário).
Império dos Francos

Localização: Gália ( França Atual)

Dinastias: Merovíngia (séculos V a VIII) e Carolíngia (séculos VIII e IX)

1.Merovíngia:
Clóvis: unificou as tribos dos francos, e converteu os francos ao cristianismo.
Os seus sucessores nomearam majordomus (Prefeito do Palácio) para governar o reino, e por isso, esse reis foram chamados de reis indolentes.

2. Império Carolíngio:
Carlos Martel (Majordomus): Venceu os árabes em 732, na Batalha de Poitiers confirmando o poder da Igreja na Europa Ocidental.

Pepino, o Breve: Lutou contra os bárbaros lombardos, na Península Ibérica, e ao vencê-los doou as terras para a Igreja ( Patrimônio de São Pedro), e por isso coroado como rei dos francos, iniciando desta maneira a dinastia carolíngia..

Carlos Magno:

( Coroamento de Carlos Magno)

1.Ampliou o território dos francos através de guerras de conquistas (Veja o mapa abaixo).
2. No natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo papa como rei dos Francos, confirmando o poder da dinastia carolíngia.

2. Aos nobres que participaram das guerras de conquistas, Carlos Magno doou terras (beneficium)
Durante o governo de Carlos Magno, muitas terras do império foram concedidas em beneficium a diversos nobres locais. Esses nobres tornavam-se, então, vassalos do rei, tendo para com ele dever de fidelidade. Por estarem na condição de vassalos diretos do rei, muitos desses nobres se recusavam a obedecer às instruções de autoridade administrativas. ( missi dominici). Essa atitude dos nobres foi um importante elemento para a formação da sociedade feudal, com fragmentação do poder nas mãos de diversos nobres senhores de terra, unidos apenas pelos laços de vassalagem.

4.Dividiu o Império: Condados ( condes) e em marcas (marqueses). Com o objetivo de fiscalizar a administração do reino, criou o cargo de “missi dominici”

5.Durante o reinado de Carlos Magno, os francos passaram por um período de esplendor cultural, que foi denominado de “Renascimento Carolíngio”. Foi criada as primeiras leis escritas da idade média; as capitulares; e a Escola Palatina, que tinha como objetivo instruir os filhos dos nobres.
Após a morte de Carlos Magno, o império foi governado por seu filho, Luís, o Piedoso. Após a morte de Luis, o Piedoso, seus filhos resolveram dividir o império pelo Tratado de Verdun. (veja o mapa abaixo):
Carlos, o Calvo ficou com a França Ocidental, Lotário com a Latoríngia (sul da Itália ao mar do Norte), e Luís, o Germânico, com a Germânia.

Nos século VIII, IX e X, uma nova invasão Bárbara ataca a Europa Ocidental; os árabes (sarracenos), os magiares, e os normandos (vickings), que através de ataques e saques provocaram muito pânico levando a uma migração para os campos; assim surgia na Europa, o feudalismo. O processo de feudalização da Europa teve inicio com a desagregação do Império Romano do Ocidente e se consolidou com as invasões bárbaras no século IX.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Um Pouco da História da Baixada Fluminense

Após a expulsão dos Franceses e o conseqüente aniquilamento dos índios Tupinambás é fundada em 1565 a Cidade do Rio de Janeiro. Iniciava a partir desta data a distribuição de sesmarias em todo o recôncavo da Baía de Guanabara. Liberada a terra dos perigos que poderiam oferecer as comunidades indígenas, é dado início à penetração no seu interior através de seus principais rios.

Nascia no seu entorno dezenas de engenhos de açúcar, construções de igrejas e pequenas povoações, muitas delas origem dos municípios de hoje.

As bacias dos rios Meriti, Sarapui, Iguaçu, Inhomirim, Estrela e Magé foram as primeiras a serem ocupadas. Em suas margens nascem os portos de embarque. Bastante movimentados com a presença de tropeiros e de embarcações que subiam e desciam levando mercadorias da Europa para os engenhos e destes com seus produtos para a cidade do Rio de Janeiro, alem dos excedentes para o Reino. Os próprios portos eram transformados em importantes celeiros.

Os Engenhos de Cristóvão Barros em Magé no ano de 1567 e o de Salvador Correia de Sá na ilha do Governador, foram os primeiros a fumegar em território fluminense. Em 1584, menciona Anchieta “muitas fazendas pela baía dentro” e no ano seguinte diz ele ser a “terra rica, abastada de dados e farinhas e outros mantimentos, tem três engenhos...”

No século XVII o número de engenhos rapidamente crescia e o açúcar iria absorver quase toda a iniciativa dos fazendeiros do recôncavo da Guanabara. Cerca de 120 engenhos são levantados em torno da baía, e é o açúcar do recôncavo que vai afinal, como nos demais portos primitivos, erguer a economia da noviça cidade Rio de Janeiro. É também o açúcar o grande impulsionador do índice demográfico com a crescente entrada de africanos para as lavouras.

A paisagem natural vai deste modo modificando-se, fazendo aparecer os primeiros clarões nas florestas, não longe da entrada da baía começa a projetar toda uma população agrícola sobre os enflorestados morros do recôncavo e os intermináveis pântanos e alagadiços marginais.

O marco inicial da colonização no Vale do Rio Iguaçu foi a fazenda São Bento. Esta fazenda teve sua origem nas terras doadas pela Marquesa Ferreira ao mosteiro de São Bento em 1596, era viúva de Cristóvão Monteiro, primeiro proprietário das sesmarias ofertadas por Estácio de Sá no ano de 1565 em terras hoje pertencentes atualmente à cidade de Duque de Caxias. Nesse local, os monges Beneditinos fizeram erguer inicialmente uma capela dedicada a Nossa Senhora das Candeias. No século XVIII, as terras passaram para as mãos da irmandade de N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos. Sua atividade econômica baseava-se na produção de farinha de mandioca, na cana de açúcar e na fabricação de tijolos. 

Nas margens do Rio Pilar, afluente do Iguassú, vamos encontrar a freguesia de Nossa Senhora do Pilar uma das mais antigas da Baixada. A primeira doação de sesmaria na região foi para Gaspar Sardinha, em 1571. Seu descendente Domingos Nunes Sardinha, abastado agricultor, construiu uma ermida em 1612, dando origem à Igreja de N.Sª. do Pilar.

Próximo as suas cabeceiras, localizada à margem direita do rio Iguaçu numa planície circundada de pequenos morros, a Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú teve sua origem na capela que o alferes José Dias de Araújo, autorizou construir em sua terra, no ano de 1699.

É improvável, no entanto de fácil compreensão, que os primeiros núcleos de povoação não surgiram em torno de uma atividade puramente econômica, o colonizador era um homem extremamente devoto, ou quando não, demonstrava a sua religiosidade como forma de justificar o aquinhoamento de longas extensões de terras em nome da fé católica. 

A presença das capelas e igrejas numa determinada região, demonstrava a importância que aquele território representava perante o poder secular e o poder eclesiástico. Essa célula inicialmente embrionária daria o surgimento de uma aldeia, uma freguesia, uma vila e mais tarde uma cidade. 

Meriti assim teve as seguintes capelas descritas por Pizarro: a de São João Baptista, fundada pelos moradores de Trairaponga em 1645, em local desconhecido. Esta Capela funcionou como Matriz até o ano de 1660.

Com o crescimento de uma vila próximo ao Rio Meriti (atualmente centro da Pavuna e da cidade de Meriti), mandou-se construir em 1660 uma outra de pedra e cal (na Pavuna), transferindo inclusive a pia batismal, o que demonstraria a importância que este sítio assumia junto ao porto da Pavuna, que naquele momento já contava com uma grande quantidade portos, que escoavam a produção agrícola como o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, legumes, o açúcar e a aguardente e ao mesmo tempo recebia os produtos importados, já que a localidade da Pavuna e Meriti, além de serem portos fluviais era também o melhor ponto onde se entrava na Baixada pelos caminhos de terra firme.

Assim, funcionava na localidade da Pavuna e do Meriti um verdadeiro entreposto comercial com toda a infra-estrutura com armazéns, trapiches, vendas e hospedarias. Por aqui passaram as pedras, azulejos, santos, móveis, pratarias, e outras quinquilharias que serviriam para ornamentar igrejas e fazendas que se construíram nas freguesias de Meriti e Jacutinga.

O ciclo do ouro ocorrido no interior do Brasil, traria importância para a ampliação dos caminhos da baixada. Após o abandono do Caminho dos Guaianazes que partia de Parati, abriu-se um novo caminho através da Baixada com ligação direta entre o Rio de Janeiro e as Minas, era o Caminho Novo de Garcia Paes em 1704 – passando por Xerém, Pilar e descendo o Rio Iguassú até o Rio de Janeiro.

Em 1724 abriu-se outro por Bernardo Soares de Proença, descendo a Serra de Estrela, atingia o Rio Inhomirim e o Estrela, onde existia o porto e indo em direção do Rio de Janeiro. Formando ai um importante Arraial que se transformou em Vila em 20 de Julho de 1846. A Vila da Estrela foi próspera, por ela passou a maior parte do ouro produzido na região das gerais, era o ponto final do caminho que durante mais de século recebia todos que se dirigiam ao interior.

Pelas águas do Rio Iguassú desceram a produção de café do vale do Rio Paraíba do Sul, atravessando a Baía em direção a cidade do Rio de Janeiro. Seu porto com uma dezena de armazéns em sua volta, atraiu para a localidade um grande contingente populacional, que se dedicaram nas mais diversas atividades de serviços, o arraial cresceu e virou Vila em 15 de Janeiro de 1833. Era a mais próspera das Vilas Fluminenses, possuidora de todos os Órgãos Públicos e setores de serviços. 

O café foi plantado também nas encostas da serra do mar em Iguassú no século XIX. O seu comércio gerou tanta riqueza que promoveu a abertura em 1822 pela Real Junta do Comércio uma nova estrada a do "Comércio", ligando-se também a outra posteriormente construída a estrada da polícia que passava por Belém, dirigindo- se ao Rio Preto, este caminho passou a denominar-se "Caminho do Comércio”, porém, só a partir de 1837 começaram os estudos para o seu calçamento, cujo trabalho ficou sob responsabilidade do coronel de engenheiros, Conrado Jacob de Niemeyer. 

Na primeira metade do século XIX o mundo conhecia a segunda fase da revolução industrial - a dos transportes. A grande novidade era o barco a vapor e a locomotiva sobre trilhos. No Brasil, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, lançava com o apoio de capitais privados, a primeira ferrovia ligando o Porto Mauá – depois Estação da Guia de Pacopaíba à Fragoso e Inhomirim no pé da serra da Estrela, num percurso de 15,5 km. 

Esta inauguração lançou as bases de uma grande transformação que se operaria ao longo da 2ª metade do século XIX, mudando completamente a configuração da geografia urbana da BaixadaA ferrovia num movimento retilíneo rasgou a baixada, diferentemente do caminho seguido pelos rios em meandros. Para a construção das ferrovias aterraram-se pântanos e brejos e desmatou florestas, de forma que a natureza sofreu grandes agressões. 

No entanto, as grandes transformações ocorreram no processo de ocupação humana. A primeira linha férrea construída foi em direção à região produtora de café. A Estrada de Ferro Pedro II (hoje Central do Brasil), chegou às cidades das encostas da serra do Gericinó e sul da serra do Mar em 1858 juntamente com Maxambomba (atual Nova Iguaçu), Queimados e Japeri. 

Em 1876 com o objetivo de captar água para a cidade do Rio de Janeiro foi construída a estrada de Ferro Rio D’Ouro, à medida que avançava ia transportando os tubos de ferro e demais materiais completando as obras de construção das redes de abastecimento d’água. No entanto, foi somente em 1883 ainda em caráter provisório que começaram a circular os primeiros trens de passageiros que partiam do Caju em direção à represa Rio D’Ouro. Mais tarde esta ferrovia foi dividida em três sub-ramais: Ramal de São Pedro, hoje Jaceruba; ramal de Tinguá, que se iniciava em Cava (Estação José Bulhões); e o ramal de Xerém, partindo de Belford Roxo.

Em 23 de abril de 1886 é inaugurada a Estrada de Ferro Leopoldina Railway, concessionária da The Rio de Janeiro Northern Railway Company – era a primeira concessão para uma estrada de Ferro que, partindo diretamente da cidade do Rio de Janeiro, alcançava a região serrana de Petrópolis. 

A 28 de fevereiro de 1884 iniciou-se o trabalho para assentamento dos trilhos, o que levaria dois anos, até sua chegada em Merity (atual Duque de Caxias), 

Junto a estas ferrovias seguiram outras de menor importância, mas que faziam ligações como ramais auxiliares e complementares às linhas principais. Elas surgiram em um momento que a baixada não possuía estradas, apenas alguns caminhos carroçáveis que em tempos de chuvas eram intransitáveis. O meio de transporte comum era no lombo dos animais ou ainda através dos rios. A locomotiva passou a ser a melhor opção não só de passageiros mas também para o transporte de mercadorias.

A população cansada dos naturais isolamentos, das doenças ribeirinhas começa a mudar-se para as margens das ferrovias, em principal nas paradas dos trens – onde se tinha água e lenha que serviam como fonte de energia para a locomotiva. Nestas paradas surgiam pequenas atividades de comércio, cortadores de lenha, carvoeiros e homens de serviços em geral. O crescimento rápido desta população fez destas paradas importantes estações que serão embriões dos futuros distritos de Nova Iguaçu, como Nilópolis, Queimados, Japeri, Merity, Belford Roxo, Pilar, Xerém e Estrela.

O assoreamento dos rios causado pelo desmatamento, as febres palustres e o fim da escravidão apressaram a decadência econômica da Baixada, o que levou a população em busca do Rio de Janeiro ou outras áreas produtoras para sobrevivência.

A expansão urbana neste século deu-se com a expansão das ferrovias. A venda de terras, outrora fazendas, retalhadas em lotes e vendidas a preços baixos para a moradia ou transformadas em sítios para o plantio de laranjais, estimulados pelos governos bem como a valorização no mercado mundial. Pelos diversos distritos de Nova Iguaçu cultivaram-se laranjais que ocuparam os morros e as colinas, fazendo a riqueza dos chamados capitalistas da laranja. 

As oscilações do mercado mundial com as guerras, as técnicas impróprias para o cultivo e a valorização de terras para fins urbanos após o saneamento, formaram a decadência da citricultura nesta região, dando lugar às “cidades dormitórios” de uma população laboriosa que se deslocavam para o Rio de Janeiro, diariamente, em busca do mercado de trabalho. 

O processo desenvolvimentista inaugurado com a revolução de 1930, a capitalização do campo, a seca no nordeste, a saída em massa do campo e a crise no sistema de parceria levaram ao êxodo rural. O inchaço populacional nos grandes centros urbanos e a exploração imobiliária pelo aumento constante do metro quadrado do solo na capital acaba empurrando grandes contingentes populacionais, para estas históricas terras. 

As fazendas fracionadas em sítios e chácaras com seus imensos laranjais e horti-fruti-granjeiros, transformaram-se em áreas de loteamentos, de grilagem e ocupações irregulares. Freguesias viram Distritos e estes em municípios. Em 1924 São Matheus vira 7º Distrito com o nome de Nilópolis, em 1931 Estação de Merity, com seu povoado em volta, vira o 8º Distrito com o nome de Caxias, todos desmembrados de Meriti, que pertencia a Nova Iguaçu. 

Após o regime de exceção (Ditadura Vargas), na esteira do populismo, o 8º Distrito emancipa-se ganhando status de Município, levando consigo São João de Meriti, que é transformado em seu 2º Distrito. São João de Meriti em 1947, emancipa-se de Duque de Caxias e, na mesma lei, Nilópolis de Nova Iguaçu. 

Envolvida com enormes conflitos ambientais, em razão de um crescimento urbano pouco planejado, onde temos bairros residenciais convivendo com industrias de grande potencial poluidor, com despejos “in natura” em águas que deságuam na Baia da Guanabara, agravada por sua posição geográfica entre o mar e a serra, dificultando ainda mais a dispersão de poluentes como o monóxido de carbono gerado de veículos automotores.

A degradação dos manguezais, o abandono dos nossos sítios históricos e arqueológicos, a criação de áreas de preservação ambiental, o reflorestamento das encostas e morros, os investimentos em equipamentos culturais são os grandes desafios que encontramos e que solicita de nós cada vez mais empenho.

É tempo de salvá-las: rios, matas, cachoeiras, sítios e prédios históricos devem ser priorizados não só sobre o ponto de vista cultural, mas como fator vital de sobrevivência, na preservação de recursos naturais como a água.

*Torres, Gênesis, é professor e pesquisador de História, Presidente do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada FluminenseCoordenador do Fórum Cultural da Baixada e Subsecretário de Cultura de São João de Meriti.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Reformas Pombalinas



As reformas pombalinas – No reinado de D. José I, o ministro Sebastião José de Carvalho,marquês de Pombal, com sua forte personalidade, caracterizou o período, denominado em virtude disso "pombalino”.

O período pombalino coincidiu com a época da decadência da mineração, e todo o esforço político do ministro de D. José I concentrou-se na tentativa de modernização do reino. Mas essa modernização, como era típico dos déspotas esclarecidos, foi imposta de c
ima para baixo.

Considerando as suas realizações em conjunto, conclui-se que a política de Pombal tinha em vista, de um lado, o fortalecimento do Estado e, de outro, a autonomia econômica de Portugal. No primeiro caso, Pombal tratou de diminuir a influência da nobreza e sobretudo dos jesuítas, os quais expulsou de Portugal e de todos os seus domínios em 1759.

Quanto à autonomia econômica, o seu objetivo era o de tirar o país da órbita inglesa, na qual ingressara a partir de meados do século XVII.

Desde o fim da União Ibérica em 1640, o Brasil era a mais valiosa possessão portuguesa. Com a descoberta e a exploração do ouro em Minas, o Brasil ocupou o lugar indiscutível de retaguarda econômica da metrópole. Porém, no tempo de Pombal, a mineração encontrava-se em franca decadência. A sua preocupação foi então a de reorganizar a administração colonial, fortalecer os laços do exclusivo metropolitano, a fim de garantir o máximo de transferência da riqueza brasileira para Portugal.

Em sua política colonial, Pombal tratou de centralizar a administração para maior controle metropolitano. Nesse terreno, o ministro tomou duas medidas importantes. A primeira foi a extinção do regime de capitanias hereditárias e, portanto, o fim do poder dos donatários. A segunda foi a reunificação administrativa.

Com essa reunificação ficava abolida a antiga divisão administrativa estabelecida em 1621, quando então o Brasil ficou dividido em dois Estados: o Estado do Maranhão e o do Brasil, cada qual com um governador próprio. O primeiro abrangia Pará, Maranhão e Ceará e o segundo, os demais territórios ao sul. A capital do Estado do Maranhão era São Luís e a do Estado do Brasil era a Bahia. Pombal reunificou a administração, transferindo, ao mesmo tempo, a capital para o Rio de Janeiro, em 1763, o que mostrou a sua preocupação em manter a cabeça administrativa bem próxima da economia mineira.

Mas a sua política não estava concentrada apenas em Minas. Ela abrangia também a economia açucareis do nordeste e a exploração das "drogas do sertão" da região amazônica.Em relação a Minas, com a finalidade de assegurar os rendimentos da Coroa, Pombal tomou a iniciativa de converter a exploração diamantífera em monopólio real, com o Regimento da Real Extração e, em relação ao ouro, ele estabeleceu um regime de taxação que combinava a Casa de Fundição e o sistema de fintas com cotas de 100 arrobas, complementado pela derrama.


Para atuar no nordeste e na região amazônica, Pombal criou a Companhia Geral do Comércio do Grão Pará e Maranhão (1755) e a Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba (1759). Assim, o quadro geral da administração colonial caracterizou-se, no final do século XVIII, pela crescente racionalização da atividade econômica, tendo por objetivo a transferência do máximo de riqueza do Brasil para Portugal. Paralelamente a essa racionalização, aumentava também o grau de opressão colonial. Essa tendência continuou com D. Maria I, que sucedeu a D. José I. No seu reinado, através do Alvará de 1785, proibiu-se a atividade manufatureira no Brasil.

Crise no Sistema Colonial


A crise do Antigo Regime – O declínio da mineração no Brasil coincide, no plano
internacional, com a crise do Antigo Regime. Fazendo um balanço de toda a exploração colonial do Brasil, chegamos à melancólica conclusão de que Portugal não foi o principal beneficiário da exploração colonial.

Os benefícios da colonização haviam se transferido para outros centros europeus em ascensão: França e, em especial, Inglaterra. De fato, o século XVIII teve a Inglaterra como centro da política internacional e pivô das mudanças estruturais que começavam a afetar profundamente o Antigo Regime. Como nação vitoriosa na esfera econômica, a Inglaterra estava prestes a desencadear a Revolução Industrial, convertendo-se na mais avançada nação burguesa do planeta.

A visível transformação econômica foi acompanhada, na segunda metade do século XVIII, por uma ebulição no nível das idéias. Surgiu o Iluminismo e, com essa filosofia, uma nova visão do homem e do mundo. Por trás de todo esse movimento, encontrava-se a burguesia, comandando a crítica ao Antigo Regime e, portanto, à nobreza e ao absolutismo. Mas os filósofos iluministas, como Voltaire e Diderot, seduziram os monarcas absolutistas da Prússia, Áustria, Rússia, Portugal e Espanha. Sem abrir mão do absolutismo, esses monarcas realizaram algumas das reformas recomendadas pelos iluministas, que vieram reforçar o seu poder, uma vez que a modernização empreendida aliviou as tensões sociais. Por se manterem absolutistas e optarem por reformas modernizadoras, aqueles monarcas ficaram conhecidos como déspotas esclarecidos. Esse foi um fenômeno típico da segunda metade do século XVIII. D. José I (1750-1777) e seu ministro, o marquês de Pombal, foram os representantes do despotismo esclarecido em Portugal.